No princípio era o Estado…

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No princípio era o Estado. O Brasil surgiu a partir da vontade de poder do Estado, à época a Coroa Portuguesa. O Estado, como é de sua autêntica função, selecionou os mais bravos e ousados homens e estes, realizando grandes feitos, chegaram ao Brasil.

Quando chegou o momento da colonização também foi o Estado quem deu o impulso fundamental. Todas as terras eram, a partir do Tratado de Tordesilhas, propriedade do Estado, terras públicas, bens públicos. O Estado, a Coroa Portuguesa, cedeu o uso dessas terras para homens que os representavam, em troca de uma série de contrapartidas.

Podemos ir ainda mais longe. O Estado, se entendido como estrutura decisória e administrativa de uma comunidade, é tão antigo quanto a família, estando também lá, presente nas próprias origens do que entendemos por humanidade, ainda na pré-histórica.

Caso se recuse o uso deste termo às comunidades pré-históricas, não importa, podemos ir já ao período do surgimento das civilizações. Na Suméria, no Egito, no Vale do Indo e nas margens do Rio Amarelo, o Estado, quase sempre fundado por figuras semi-lendárias, guiou os povos, retirando-os do nomadismo e do barbarismo para que estabelecessem as primeiras civilizações, todas elas responsáveis por grandes realizações culturais, tecnológicas e militares que influenciaram os milhares de anos que se seguiram.

A nível civilizacional, também, ao longo de vários períodos históricos, vemos o Estado atuando como uma espécie de instrumento de seleção, absorvendo os melhores homens do povo, para dar a eles funções que não só permitam que eles desenvolvam suas aptidões mas também os colocam a serviço da comunidade. Assim tem sido dos gregos antigos aos prussianos, passando pela maioria dos Estados e povos imagináveis, pelo menos enquanto estiveram em período ascendente.

Surpreende, portanto, que existam aqueles que não só acreditam e defendem que a civilização prescinde do Estado, como chegam à loucura de afirmar que tudo seria muito melhor sem Estado e que todos os problemas, a nível local ou global, são culpa do Estado.

Naturalmente, eles não podem dar demonstrações empíricas de qualquer coisa que digam já que nunca houve comunidade organizada sem algum tipo de Estado, afinal, um Estado descentralizado ainda é um Estado, um Estado guiado por democracia direta ainda é um Estado, etc.

Mesmo que aceitemos ir ao âmbito econômico, nada muda. O desenvolvimento dos povos e o enriquecimento das nações é guiado pelo Estado.

Foi o brilhantismo estatal de Bismarck, guiado pelas recomendações de Friedrich List, que transformaram a Alemanha de um punhado de feudos rurais em uma potência global. Foi o brilhantismo protecionista da Coroa Britânica que permitiu a industrialização primitiva que alavancou a Grã-Bretanha ao patamar de suposto império. Foi o brilhantismo hamiltonianista dos primeiros republicanos (os do século XIX) que transformou os EUA de país semi-rural, arrasado por uma guerra civil, na maior potência do planeta.

Podemos repetir o mesmo em relação à Rússia, à China, ao Japão, à França, à Coreia do Sul ou a qualquer outro país industrializado no planeta. O Estado guiou o desenvolvimento, sozinho e por conta própria, ou coordenando a iniciativa privada. Essa é a realidade dos fatos.

E finalmente chegamos ao Brasil. Onde, pela vontade do imperador Pedro II, personificação do Estado, demos alguns primeiros passos rumo à soberania e à industrialização. Passos que foram interrompidos pelas oligarquias que queriam manter o Brasil como eterno exportador de commodities, submisso às potências estrangeiras.

Depois, através de Vargas, condutor do Estado, o Brasil deu um grande salto industrializador que ampliou nossa autonomia e começou a nos retirar de uma situação praticamente feudal. Salto interrompido por oligarquias subalternas, apoiadas por Forças Armadas antipatrióticas.

Novamente, com João Goulart, realizou-se uma nova tentativa, guiada pelo Estado, de dar soberania, autonomia e desenvolvimento ao Brasil e seu povo. E tudo foi interrompido, novamente, pelas oligarquias, aliadas à mídia de massa e a Forças Armadas antipatrióticas.

E nesta situação de subjugação estamos até hoje, com o Estado sendo enfraquecido cada vez mais, aos poucos, governo após governo. Hoje, vendem isso como solução, mas nenhum país tomou esta via para se tornar potência.

O Estado hoje é ocupado e conduzido por gente que tem nojo do Estado.

Se eles têm nojo do Estado e o odeiam então que sejam derrubados por quem veja no Estado o melhor instrumento para aproximar o Brasil de seu destino histórico. Por isso, devemos seguir avançando, estudando, militando, esclarecendo, educando, mobilizando. Rumo à conquista do Estado!

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