Em defesa dos Saberes da Terra:

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Em entrevista recente, o Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, afirmou que a discussão sobre a demarcação das terras indígenas é infrutífera porque “terra não enche barriga de ninguém”.

Ora, senhor Ministro da Justiça, de onde vem o alimento que está na mesa dos cidadãos brasileiros? Por acaso foram dádivas alienígenas que caíram das crateras lunares? Não bastasse o comentário ignorante e descabido, Osmar Serraglio ainda disse que a CPI da FUNAI- que é dominada pela bancada do agronegócio- terá resultados “surpreendentes”.

Já sabemos qual será o resultado: os latifúndios se alastrarão pelas terras indígenas e o governo continuará fazendo pouco caso da cosmovisão e da cultura dos povos nativos do Brasil.

A terra, para usar uma terminologia da geografia humanista, não é só um plano de consumação predatória. A terra é local onde ocorrem todas as interações humanas, é uma materialidade plena de vitalidade e de dinâmicas próprias. Esquecer essas dinâmicas de descoberta e de laços ancestrais com a terra é estar alienado daquilo que nos define como humanos.

No que diz respeito aos povos nativos, essa ligação com a terra é ainda mais importante e, de um modo geral, perpassa todas as manifestações cosmológicas, sociais e ritualísticas sobre as quais se assentam a própria noção de existência.

A fala de Osmar Serraglio evidencia a percepção liberal sobre os usos da terra: ela é interesse, cálculo, medida. Deve ser aproveitada na medida em que “dá resultados”, “traz retorno” e “incrementa produtividade”(para usar o jargão dos latifundiários brasileiros).É preciso que as forças dissidentes se alevantem contra as investidas do liberalismo sobre o uso das terras indígenas. É necessário purgar o câncer do lucro a qualquer custo, da exploração desmedida que corrompe culturas, símbolos e etnias.

Segundo a profecia do pajé Davi Kopenawa: “Vocês ficarão sozinhos na terra e acabarão morrendo também. Quando o céu ficar realmente muito doente, não se terá mais pajés para segurá-lo com os seus hekurabë. Os brancos não sabem segurar o céu no seu lugar. Eles só ouvem a voz dos pajés, mas pensam, sem saber das coisas: “eles estão falando à toa, é só mentira!”. Quando os pajés ainda estão vivos, o céu pode estar muito doente, mas eles vão conseguir impedir que ele caia. Sim, ainda que ele queira cair, que ele comece a querer desabar em direção à terra, os pajés seguram ele no lugar. Isso porque nós, os Yanomami, nós ainda estamos existindo. Quando não houver mais Yanomami, aí o céu vai cair de vez.”

Pela autodeterminação dos povos! Em defesa da autonomia dos povos nativos!

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