A verdade inconveniente sobre a indústria pornográfica:

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Resolvemos trazer hoje este texto preparado pelo camarada Clécio e que recebeu acréscimo e complementação do camarada Jean da organização parceira Avante. O tema é de importância fundamental. A indústria pornográfica e a pornografia em si não são elementos isolados da indústria cultural da sociedade do espetáculo, mas parte do seu próprio centro que tem se fortalecido na mesma medida do fortalecimento do individualismo e do hedonismo nas sociedades burguesas, acompanhando a tal “revolução sexual”.
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Apesar do capitalismo ser, como um todo, nefasto, a indústria pornográfica é, provavelmente, o seu ramo mais nefasto, grotesco e nojento, por sua objetificação do corpo, seu efeito insensibilizador, sua desconstrução materialista e escatológica do ato sexual e suas profundas e incontornáveis conexões com o mundo criminoso da pedofilia, do tráfico de mulheres e crianças e, em sua face mais extrema, do assassinato para satisfação de fetiche (snuff).

Daí, além dos inúmeros motivos dados abaixo, a importância de combater sem qualquer tolerância essa indústria.

Aviso: Este não é um texto moralista. O objetivo, aqui, é trazer informações úteis e reais sobre um tema pouco abordado – e, quando abordado, quase sempre o é pela ótica estritamente progressista, com seus inúmeros lados “positivos” – e de grande impacto na sociedade atual. Se você interpreta essa crítica como “moralismo”, NÃO continue a leitura.

A pornografia, vista como atividade normal e parte da sexualidade humana moderna, figura com mais precisão no campo dos vícios. De fato, a mente de um adepto do uso de pornografia funciona de modo praticamente idêntico à de um usuário de drogas. Os efeitos da pornografia são individuais (mudanças no funcionamento cerebral, nos estímulos sexuais, na mente e no comportamento) e sociais (exploração, abuso, estupro, violência, pedofilia, zoofilia e outras parafilias afins, tráfico humano e trabalho escravo).

Aqui serão abordados seus principais aspectos, causas e consequências pessoais, emocionais, cerebrais, comportamentais, sociais, econômicas, morais e humanas.

A pornografia altera a mente

Como qualquer substância viciante, a pornografia inunda o cérebro com dopamina[1]. E, como qualquer outra droga, o cérebro exige doses cada vez maiores para atingir os mesmos efeitos. Logo, o consumo de pornografia aumenta constantemente, e as sensações de prazer são reduzidas, exigindo cada vez mais material e tempo. A facilidade de acesso à droga (à pornografia) através da internet cria a ilusão de saciedade e de rapidez para o preenchimento das lacunas de prazer. Isso faz com que, diferentemente daquilo que ocorre com outras substâncias viciantes, o usuário de material pornográfico não encare a situação como um estágio de dependência química.

A capacidade (e a quantidade) dos neurotransmissores é reduzida continuamente[2]. Atividades simples que antes seriam suficientes para satisfazer a necessidade de dopamina no cérebro passam a ser insuficientes. Os viciados em pornografia precisam buscar novos materiais, cada vez mais abusivos, cada vez mais agressivos e explícitos. O vício danifica áreas cerebrais responsáveis pela análise e tomada de decisões importantes (o lóbulo frontal, responsável pela solução de problemas), já que a pornografia “reprograma” o cérebro para necessidades de curto prazo (masturbação, ejaculação, orgasmos cada vez mais rápidos e mais fracos).

Dessa forma, a pornografia altera a própria estrutura cerebral e reconfigura as áreas responsáveis pela recepção, controle e processamento de prazer. Quanto mais pornografia o viciado usa, mais o lóbulo frontal é danificado e mais comprometida é a capacidade de estimular as áreas cerebrais responsáveis pelo prazer, o que exige níveis cada vez maiores de dopamina[3]. A boa notícia é que, como em qualquer vício, os danos podem ser “desfeitos” ou no mínimo reduzidos, conforme o viciado abandona gradativamente o uso da pornografia. As áreas anteriormente danificadas voltam ao normal, ou se regeneram para grande parte daquilo que eram originalmente, e toda a sensação de busca e recompensa é restaurada a um patamar mais agradável.

A Pornografia deteriora sua vida sexual

A facilidade de acesso ao conteúdo adulto dá a sensação de saciedade, facilidade, abertura, compreensão, melhor entendimento do sexo e, logicamente, de um melhor desempenho sexual e uma vida sexualmente ativa mais satisfatória[4]. Porém, o vício em pornografia pode piorar a vida sexual ou, até mesmo, conduzir à total ausência dela.

Trinta anos atrás, os homens desenvolviam disfunção erétil na velhice, geralmente após os 40 anos[5], quando a circulação sanguínea se deteriora, tornando difícil manter uma ereção. Isso foi antes de a pornografia se tornar massiva. Hoje, a disfunção erétil atinge muitos homens de 20 anos, ou seja, é um problema que afeta cada vez mais homens novos.

O problema não está no pênis em si, mas sim no cérebro. O problema é que, acostumado à pornografia e condicionado a ela como forma de obter prazer e liberar ocitocina, o cérebro de um viciado acaba perdendo a capacidade de se estimular sexualmente através de reações químicas desencadeadas pelo toque, cheiro, audição e pelo corpo real de uma mulher. Dessa forma, o usuário de pornografia viciado é condicionado a obter prazer numa sala, sozinho, de frente a um computador, e não acompanhado de outra pessoa[6].

“Será que assistir muita pornografia possivelmente causa problemas com a performance sexual masculina, como disfunção erétil? Evidências sugerem crescentemente que este pode ser um dos efeitos colaterais da fascinação do homem pela pornografia, e isto ainda pode estar se tornando o mais comum problema da saúde sexual masculina.

Uma pesquisa com mais de 28.000 homens italianos descobriu que o consumo excessivo de pornografia, começando aos 14 anos, e o consumo diário entre o início e meados dos 20 anos, insensibiliza os homens para até as mais violentas imagens. De acordo com o chefe da ‘Società Italiana di Andrologia e Medicina della Sessualità’ (SIAMS), isto pode causar disfunções sexuais masculinas pela diminuição de libido e eventualmente levando à inabilidade para a ereção.

Viciados em pornografia, acostumados aos padrões mostrados nas cenas dos materiais que consomem, perdem atratividade e capacidade de atração sexual por parceiras “reais”. “Devido à pornografia disponível na internet, nós estamos descobrindo que este tipo de disfunção sexual é uma entidade real”, diz David B. Samadi, Doutor em Medicina, presidente do departamento de urologia e chefe de cirurgia robótica no Hospital de Lenox Hill, em Nova Iórque. “É um problema no cérebro, não no pênis.”. Até certo ponto, disfunção erétil relacionada à pornografia pode afetar qualquer, mas Dr. Samadi diz que lhe parece mais propenso entre homens jovens que estão em sua adolescência ou no início dos 20 anos.

Em referência aos estudos da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, em Baltimore, descobriu que cerca de 18 milhões de americanos possuem disfunção erétil, significando que eles são incapazes de obter e manter uma ereção suficiente para a relação sexual. O problema pode ser físico, em relação ao bloqueio de sangue para o pênis; psicológico, ou uma combinação.

“Na maioria das vezes, doenças crônicas, como doenças cardíacas e diabetes, contribuem para a disfunção erétil; mas na minha prática particular, eu diria que 15 a 20 porcento das disfunções eréteis que eu vi estavam relacionadas ao consumo de pornografia,” diz Muhammed Mirza, Doutorado em Medicina, um internista baseado na Cidade de Jersey, Nova Jersey, e fundador daErectileDoctor.com

Como saber se você tem risco de obter uma disfunção erétil relacionada à pornografia? Não é necessariamente quanto de pornografia que a pessoa assiste. O tipo pode ter também um papel, diz Samadi. Diferente das imagens pornográficas “softcore” (Brandas) que encontramos em revistas como Playboy ou Penthouse, pornografia online é geralmente mais visual e retrata comportamentos bizarros, depravados e violentos. Está também disponível 24 horas.

Pornografia pode levar a expectativas irreais que aumentam a tolerância de uma pessoa para o sexo. Samadi comparou o fenômeno com o que ocorre quando alguém consome consistentemente mais e mais álcool. Eventualmente, a pessoa tem mais dificuldade em se sentir embriagada. O mesmo ocorre com a pornografia e a performance sexual. “Você precisa de mais e mais estímulos já que você criou uma certa tolerância, e então surge a possibilidade com a sua esposa ou parceira, e você não é mais capaz de fazê-lo,” ele diz. Muita pornografia pode insensibilizar o homem para o sexo, e, eventualmente, ele pode ficar incapaz de se excitar com encontros sexuais casuais, Samadi explica.

O consumo crônico de pornografia pode causar uma mudança nas químicas cerebrais que contribuem para disfunção erétil, diz Dr. Mirza. “Suas expectativas se tornam maiores do que o normal,” ele diz. “Se você assistir qualquer imagem de um vídeo pornográfico, elas são ampliadas. Não é assim que uma anatomia normal age”. Samadi concorda: “Muitas das imagens que aparecem na pornografia são irreais e aumentadas,” ele diz. “Ninguém pode seguir com isto por horas.”

“Isto é muito diferente da vida real”, diz Nicole Sachs, Assistente Social Clínica Licenciada, assistente social em Rehoboth, Delaware, e autora de “The Meaning of Truth.”. As imagens irreais vistas em algumas pornografias podem levar o homem ou a mulher a se sentirem autoconscientes, o que poderia levar a problemas com a função e a intimidade, ela diz.

“O que parece tão fácil na pornografia vira um trabalho árduo na vida real,” ela diz. “O sexo na pornografia ou mesmo na prostituição é rápido, fácil e impessoal,” ela diz. “A intimidade é difícil e pode se tornar embaraçosa.” Uma fila de vídeos pornôs pode parecer um meio fácil para extravasar, mas isto pode levar a um ciclo vicioso. “Impotência gera impotência e o interesse em pornô surge daí,” ela explica.”

A exploração da mulher na indústria pornográfica

Segundo Shelley Lubben, ex-atriz pornô americana e uma das principais lideranças antipornografia da atualidade, fundadora da Pink Cross Foundation – organização de caridade pública, dedicada a conceder auxílio emocional e financeiro aos trabalhadores da indústria -, a indústria pornô detém os seguintes números:

– 70 das estrelas pornôs que conhecemos cometeram suicídio.
– O principal meio de suicídio entre as estrelas pornôs é o enforcamento.
– 228 estrelas pornôs morreram de AIDS, drogas, suicídio, homicídio; mortes acidentais e prematuras desde 2003.
– A expectativa de vida de uma estrela pornô é de 36,2 anos.
– 38 casos de mortes por drogas entre estrelas pornôs desde 2003.
– 52 suicídios entre estrelas pornôs desde 2000.
– A obtenção de clamídia e gonorreia é 10 vezes maior entre os profissionais do ramo do que entre pessoas do município de Los Angeles, entre seus 20-24 anos.
– 2.396 casos de clamídia e 1.389 casos de gonorreia reportados entre os atuantes, desde 2004.
– 31 casos de HIV reportados entre estrelas pornôs desde 2003.
– Estrelas pornôs estão sujeitas a uma chance maior de infecção (20%) do que entre o público geral (2,4%).
– Entre 130 profissionais héteros e gays morreram de AIDS.
– 514 estrelas pornôs morreram de AIDS, drogas, homicídio, suicídio e outras mortes prematuras no total.
– Uma recente análise dos 50 filmes adultos mais vendidos revela que, entre todas as cenas: 48% de 304 cenas contêm agressões verbais, enquanto mais de 88% contêm agressões físicas[7].
– Uma recente análise dos 50 filmes adultos mais vendidos revela que, entre todas as cenas, 94% dos atos de agressões são cometidos contra as mulheres.
– A cada segundo: $3,075.64 é gasto em pornografia. 28,258 estão vendo pornografia e 372 estão procurando por algum tipo de conteúdo pornográfico.
– 9 entre 10 dos jovens do sexo masculino e aproximadamente um terço das jovens do sexo feminino consomem pornografia.
– 70% das doenças sexualmente transmissíveis na indústria pornô ocorrem nas mulheres, segundo os dados de saúde pública do município de Los Angeles.
– Dos 1351 pastores entrevistados, 54% assistiu pornografia online no ano passado.
– A receita mundial da indústria pornográfica em 2006 foi de $97,06 bilhões, dos quais aproximadamente $13 bilhões foram nos Estados Unidos.
– Existem 4.2 milhões de sites pornográficos, 420 milhões de páginas pornográficas e 66 milhões de pesquisas diárias em mecanismos de busca.

A pornografia destrói casamentos e famílias

Separações motivadas por uso de pornografia não são raras. Ela atua como instrumento de instabilidade para casais, diminuição da vida sexual e distanciamento entre os membros da família.

– No encontro de 2003 da American Academy of Matrimonial Lawyers, em uma coleta de dados feita pelos advogados de divórcio da nação, os participantes revelaram que 58% de seus divórcios foram resultado do acesso excessivo por uma das partes à pornografia online.

A indústria pornográfica tem dimensões gigantescas

A indústria pornográfica é uma superestrutura gigantesca[8].

A estimativa é que há 4.2 milhões de sites pornográficos – 12% de todos os sites existentes -, permitindo o acesso de 72 milhões de visitantes pelo mundo afora mensalmente. Um quarto de todas as pesquisas diárias, isto é, 68 milhões, é por material pornográfico, onde 40 milhões dos americanos são visitantes regulares.

– Chatsworth, Califórnia, produz 85% de todo o conteúdo adulto mundial. Todas as maiores agências de talentos femininos estão localizados em Chatsworth ou em suas proximidades. As atrizes femininas são levadas para Chatsworth para trabalharem na indústria pornográfica. Todos os maiores talentos masculinos mundiais moram ou viajam para Chatsworth para contracenar. Quase todas as maiores e menores companhias de DVDs adultos estão localizadas na região de Chatsworth.

– A indústria de filmes adultos norte-americana produz cerca de 4.000 a 11.000 filmes por ano e ganha a estimativa de $9-13 bilhões em sua receita bruta anual. Uma estimativa de de 200 companhias de produção emprega de 1.200 a 1.500 atores. Os atores ganham tipicamente entre $400 a $1.000 dólares por cena e não são compensados na base da distribuição ou da venda.

– A indústria do sexo (Não só a de produção de filmes, porque tudo está ligado) lucra mais que Hollywood; NFL (The Nation Football League), NBA (The Nation Basketball Association) e MLB (The Major League Baseball) JUNTAS; NBC, CBS e ABC JUNTAS; companhias de alta tecnologia como Google, Microsoft, Yahoo, Apple, Netflix, EBay e Amazon JUNTAS[9].

A indústria da pornografia se alimenta da pedofilia

– Mais de 11 milhões de adolescentes assistem pornografia online regularmente.
– De todos os domínios online de abuso infantil, 58% estão hospedados nos Estados Unidos.
– A pornografia infantil é um dos negócios mais crescentes pela internet, sendo que o conteúdo está ficando cada vez pior. Em 2008, a Internet Watch Foundation encontrou mais de 1.536 domínios individuais de abuso infantil.
– O maior grupo que assiste pornografia online tem entre 12 a 17 anos[10].

A indústria da pornografia e a insensibilidade

Vício em pornografia tem, como consequências[11]:

– Demonstrar menor empatia por vítimas de estupro;
– Ter tendência a um crescente comportamento agressivo;
– Acreditar que mulheres vestidas provocativamente estão abertas para o estupro;
– Demonstrar agressividade contra mulheres que flertam e então se recusam ao sexo;
– Demonstrar um crescente desinteresse sexual por suas esposas e namoradas;
– Demonstrar um maior interesse em coagir parceiros a atos sexuais indesejáveis.

Alguns comentários feito pela atriz pornô Sheena Shaw e a violência a que está submetida:http://www.vice.com/…/r…/um-botao-de-rosa-que-cheira-a-merda

Sobre a violência perdurante as filmagens:

– Apenas 9,9% das cenas mais vendidas possuem algum tipo de comportamento como beijo, riso, acariciamento ou elogio;
– Tapas ocorrem em cerca de 41.1% das cenas;
– O sexo apresentado em filmes pornográficos normalmente está focado no prazer sexual masculino e em seu orgasmo, ao invés de estar igualmente com o das mulheres;
– Aproximadamente 20% de todo o conteúdo pornográfico na internet trata-se de abuso sexual infantil.

Há mais dados no seguinte site: http://stoppornculture.org/…/about-the…/facts-and-figures-2/

Sobre a insensibilização do consumidor, o seguinte texto que traduzi também monstruosamente explica como, através da pornografia, o homem fica apático às relações sexuais casuais, levando-o até à impotência: http://www.everydayhealth.com/…/erection-problems-this-hab…/ (Em inglês)

Um outro vídeo interessante sobre a insensibilização pela pornografia, legendado em português:

https://www.youtube.com/watch?v=BMgAJwc7ocE

Quanto aos sindicatos, eu só encontrei esta notícia sobre o assunto (Em inglês):

http://inthesetimes.com/…/jenna_jameson_calls_for_porn_star…

É válido notar que a notícia é de 2010. 2010!

Sobre Linda Lovelace, o site de onde copio este texto estará logo a seguir:

Pornografia: depressão, suicídio, abuso físicos e psicológicos, estupros e ameaças

“Em respostas às sugestões deles, eu o informei que não me envolveria em prostituição de forma alguma e o avisei que queria ir embora. [Traynor] me batia e o abuso psicológico começou também. Eu literalmente me tornei uma prisioneira. Eu não era autorizada a sair de sua vista, nem mesmo pra ir ao banheiro, onde ele me assistia pelo buraco na porta. Ele dormia em cima de mim à noite, ele ouvia meus telefonemas com uma calibre 45 apontada pra mim. Eu apanhava e sofria abuso psicológico todo e cada dia. Ele cortou minhas ligações com outras pessoas e me forçou a casar com ele, aconselhado pelo seu advogado.”

Aqui ela fala da primeira experiência na pornografia:

“Minha iniciação na prostituição foi um estupro grupal de cinco homens, arranjado pelo Sr. Traynor. Foi um ponto determinante na minha vida. Ele ameaçou atirar em mim se eu não continuasse. Eu nunca tinha experimentado sexo anal antes e isso me partiu ao meio. Eles me trataram como uma boneca inflável, me pegando e me colocando aqui e ali. Abrindo minhas pernas assim ou assado, enfiando suas coisas em mim e dentro de mim, brincando de dança das cadeiras com as partes do meu corpo. Eu nunca me senti tão assustada e desgraçada e humilhada na minha vida. Eu me senti como lixo. Me envolvi em atos sexuais por pornografia contra a minha vontade pra evitar ser morta. As vidas de meus familiares foram ameaçadas.”

Agora, o que a maioria das pessoas não sabem e que é, possivelmente, a pior coisa que Lovelace presenciou. Por um vislumbre de horror, há um vídeo tão horrível que ela se recusou a reconhecer que participou nele de qualquer forma, até uma cópia vazou e a prova conclusiva foi dada.

É chamado “Cachorro Comedor” e é, provavelmente, auto-explicativo. Linda Lovelace é forçada a ser penetrada por um cachorro, em frente à câmera, contra sua vontade. Ela foi forçada a gravar depois de seu marido/agente/abusador/estuprador apontar uma arma em sua cabeça e lhe dar duas opções: gravar o filme ou comer uma bala. Eu não vou entrar em mais detalhes, isso é suficiente pra dizer o tipo de abuso que tem sido pra grande parcela da pornografia desde sua inserção moderna, nos anos 70.”

https://nosotraslasbrujas.wordpress.com/…/a-industria-que-…/

Aqui há mais um pequeno documentário sobre o assunto (Quase 12 minutos), que inclusive conta com a aparição da senhorita Shelley Lubben. O vídeo começa com cenas fortes – o que já evidencia o verdadeiro estupro que ocorre nessa indústria -, então sugiro que, caso tu não tenhas um estômago muito forte, ou isto possa levar-te a lembranças não muito boas, que não o vejas. Ele está completamente em português:

https://www.youtube.com/watch?v=hIok-mr12P0

Sobre a forma como as atrizes são coagidas a entrar para essa indústria, de uma forma ou de outra, fica o exemplo da senhorita Sasha Grey. Dizia-se que ela teve uma vida mansa durante sua vida na indústria, não sofrendo o que foi denunciado aqui; porém, parece que a história é bem diferente (Lê-se pior) do que seus fãs fazem parecer. Traduzi a seguinte notícia do inglês, sendo que o link para a mesma – e para outras duas sobre o mesmo assunto – estará logo após à tradução.

“Sasha Grey diz que ela foi “atraída” [Estas aspas são por minha conta] para a pornografia pelo seu violento e abusivo ex-namorado – que a convenceu de que ele era um espião militar que precisava de “cobertura”… E agora ela tem medo de que ele possa voltar para machucá-la.

Grey diz em novos documentos judiciais que Ian Cinnamon a submeteu a anos de abuso e agressões sexuais – iniciadas em 2005, quando ela tinha 16 e ele tinha 29 anos.

Grey diz que foi Cinnamon quem a convenceu a se tornar uma estrela pornô, dizendo que ele era um agente secreto e que ela seria uma ótima cobertura para ele. E foi assim: ele a convenceu de que trabalhava para DIA (Defense Intelligence Agency).

Grey diz que Cinnamon se tornou fisicamente abusivo. Em uma ocasião, ela disse que ele havia se esquecido de checar os testes de DSTs de um dos seus contracenantes, e ele ficou furioso, lançando objetos da casa contra ela.

Grey diz que ela terminou o relacionamento em 2012 [Ela saiu do cinema pornô em 2011] e ele recentemente começou a enviar-lhe inúmeras mensagens com ameaças – algumas com imagens de pistolas.

Um juiz concordou que Cinnamon era uma ameaça e o ordenou que mantesse uma distância de 182,88 metros (200 jardas) dela.

Indústria pornográfica: um inimigo a se combater

A pornografia destrói o modo natural com o qual os seres humanos se relacionam com suas próprias sexualidades, desintegra relações com seus parceiros e a capacidade de sociabilização e criação de relacionamentos saudáveis. Separa e afasta membros da família, causa divórcios e crises domésticas. Expõe crianças, além de utilizar-se delas, dando grande abertura à exploração sexual infantil. Beneficia-se do tráfico humano, movimenta milhões do tráfico de drogas.

A indústria pornográfica é um mal a ser combatido. Encarar esse fato sob o prisma de mera “reação moralista” é negligenciar toda a gama de fatos abordados e expostos aqui e em inúmeras outras fontes. Pornografia deve ser combatida como qualquer outra droga e vício. E, embora muitos posam dizer que a utilizam e não sofrem dos prejuízos e problemas aqui citados, seus exemplos individuais não refutam uma realidade de milhões.

Para aqueles interessados em superar o vício na pornografia, acessem este site (totalmente gratuito e em português): Como parar o Vício em Pornografia

Referências

* Para melhor compreensão do leitor, as referências foram traduzidas para este texto (títulos dos estudos, das instituições, títulos dos periódicos e revistas, etc.)

[1] Hilton, D. L. (2013). Vício em Pornografia—Um Estímulo Supranormal Considerado no Contexto da Neuroplasticidade; Neurociência Sócio afetiva e Psicologia; Georgiadis, J. R. (2006); Mudanças Cerebrais Regionais de Corrente Sanguínea associadas com o orgasmo clitoriano Induzido em Mulheres Saudáveis; Jornal Europeu de Neurociência, edição 24, 11:3305-3316.

[2] Hilton, D. L., e Watts, C. (2011). Vício em Pornografia: Uma perspectiva Neurocientífica; Neurologia Cirúrgica Internacional, 2: 19; (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3050060/) Angres, D. H. e Bettinardi-Angres, K. (2008). A Doença do Vício: Origens, Tratamento e Recuperação; Mensário de Doenças 54:696-721; Mick, T. M. e Hollander, E. (2006); Comportamento Sexual Impulsivo-Compulsivo, CNS Spectrums, 11 (12):944-955.

[3] Angres, D. H. e Bettinardi-Angres, K. (2008). A Doença do Vício: Origens, Tratamento e Recuperação; Mensário de Doenças 54: 696-721; Zillmann, D. (2000). Influência do Acesso Irrestrito ao conteúdo erótico por parte dos Adolescentes e Jovens Adultos – Disposições Acerca da Sexualidade, Jornal de Saúde Adolescente 27,2:41-44.

[4] Paul, P. (2010). Da Pornografia para o Pornô, do Pornô ao Porn: Como a Pornografia se tornou a Norma; In J. Stoner e D. Hughes (Eds.), Os custos sociais da Pornografia: uma coleção de Documentos (pags. 3-20); Princeton, N.J.: Witherspoon Institute.

[5] Capogrosso, P., Colicchia, M., Ventimiglia, E., Castagna, G., Clementi, M. C., Suardi, N., Castiglione, F., Briganti, A., Cantiello, F., Damiano, R., Montorsi, F., Salonia, A. (2013). Um dentre quatro pacientes diagnosticados com disfunção erétil é jovem — Um quadro preocupante sobre a prática clínica cotidiana; Jornal de Medicina Sexual 10,7:1833-41; Cera, N., Delli Pizzi, S., Di Pierro, E. D., Gambi, F., Tartaro, A., et al. (2012). Alterações Macroestruturais da Matéria cinzenta na Disfunão Erétil Psicogênica Subcortical. PLoS ONE 7, 6: e39118; Doidge, N. (2007). O Cérebro que muda a si mesmo; Nova York, Penguin Books, 105.

[6] Hilton, D. L. (2013). Vício em Pornografia – Um Estímulo Supranormal Considerado no Contexto da Neuroplasticidade. Neurociência Socioafetiva e Psicologia 3:20767; Robinson, M. and Wilson, G. (2012). Gostos sexuais são imutáveis?, Psicologia Hoje, 8 de novembro (http://www.psychologytoday.com/blog/cupids-poisoned-arrow/201211/are-sexual-tastes-immutable)

[7] Jensen, Robert; Okrina, Debbie; Pornografia e Violência Sexual; National Resource Center on Domestic Violence (Centro Nacional de Pesquisa sobre Violência Doméstica):http://www.vawnet.org/sexual-violence/print-document.php?doc_id=418&find_type=web_desc_AR

[8] Ackman, Dan; Qual o tamanho da indústria do pornô?; Forbes: http://www.forbes.com/forbes/welcome/

[9] ABC News; Lucros da Pornografia: os segredos corporativos da América: http://abcnews.go.com/Primetime/story?id=132001&page=1

[10] Deem, Gabe; Pornografia: muitos jovens assistem, saiba duas razões pelas quais isso é um problema; Huffington Post: http://www.huffingtonpost.com/gabe-deem/porn-many-teens-watch-it-_b_5450478.html

[11] Daubney, Martin; Pornografia pode mesmo transformar pessoas em criminosos?; Telegraph:http://www.telegraph.co.uk/men/thinking-man/11376283/Does-watching-porn-really-turn-people-into-violent-criminals.html

http://acaoavante.blogspot.com.br/2016/03/a-verdade-inconveniente-sobre-industria.html

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