Um estudo dissidente do Suicídio:

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Hoje aconteceu uma tragédia sem medidas no Rio, com uma família inteira encontrada morta. Aparentemente, o pai esfaqueou a esposa e matou os dois filhos, de 7 e 10 anos, a marretadas antes de arremessá-los para fora do prédio e, por fim, se suicidou pulando da janela do décimo oitavo andar.

Antes de destruir a si e toda sua família, o senhor escreveu uma carta onde deixa claras as razões para sua decisão espantosa. A família passava por sérios problemas profissionais, o que acarretaria uma diminuição significativa no padrão de vida elevado da mesma, o que ocasionou um surto de consequências drásticas, como este. Pelo que vi (e não pesquisei muito), a esposa e um dos filhos possuem algum problema de saúde e estariam perdendo o plano, devido ao fracasso profissional do patriarca.

Segue um trecho da carta:

“Me preocupa muito deixar minha família na mão. Sempre coloquei eles à frente de tudo ante essa decisão arriscada para ganhar mais. Mas está claro para mim que está insustentável e não vou conseguir levar adiante. Não vamos ter mais renda e não vou ter como sustentar a família”.

Pois bem, também hoje, em SP, no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, um motoboy de 41 anos se jogou do décimo sétimo andar com o filho de 4 anos no colo, matando ambos. O mesmo também deixou uma carta de despedida esclarecendo o motivo da decisão: estar desempregado e endividado.

Então, dois casos trágicos de uma semelhança assombrosa. O que aconteceu, em linhas gerais, foi simplesmente a queda no padrão de vida (tanto o padrão de classe média alta/nova rica dos moradores da Zona Oeste do Rio quanto do motoboy, simples proletário de SP), motivada pelo fracasso profissional, que levou dois chefes de família ao cume do desespero.

Isso, embora não seja tão falado, é algo comum e simples de se entender. Todos os países que passam por situação de crise, gerando rápida queda no padrão de vida da população, enfrentam de imediato um aumento na onda de suicídios. Isso porque o suicídio é o ápice da agonia humana, que se manifesta de forma radical tanto no trabalhador explorado, que se vê cada vez mais minado pelas classes dominantes e tendo seus poucos recursos sugados por estes mesmos parasitas, quanto nas classes médias, que em tempos difíceis não conseguem lidar com uma mudança repentina em seu estilo de vida aburguesado e materialmente confortável, chegando a pontos inimagináveis.

Não precisa ir muito longe pra se ter uma noção disso, a própria crise de 2008 provocou mais de 10 mil suicídios nos EUA e na Europa. Também podemos ver o caso das ex-Repúblicas soviéticas de Belarus, Letônia, Lituânia e Cazaquistão, cujos índices só fizeram aumentar desde os últimos anos da URSS até hoje, estando todas no ranking dos 10 países com maiores taxas de suicídio.

Isso só indica uma coisa: o liberalismo, para além de todos os males materiais, é acima de tudo um cancro mental e espiritual. Está intimamente associados às taxas crescentes de suicídio, tanto em países cujos padrões de vida da população média despencaram com reformas liberalizantes, quanto em países de situação material estável e significativo conforto, onde, porém, uma convulsão espiritual de dimensões estarrecedoras provocou o aumento de tais índices, em paralelo com o consumo de drogas. É este o caso da Escandinávia, mais especificamente da Suécia, onde, embora o elevado padrão de vida da população seja bastante alarmado por aqui, pouco se nota sobre o estado caótico a nível mental e espiritual da população majoritariamente ateia, ultra-materialista, aburguesada e sem perspectivas para além do que há de material, vil e mortal. Até por isso há décadas o governo investe pesado em educação artística e musical (o que explica, por exemplo, a grande quantidade de bandas de metal suecas). Tais investimentos melhoraram em muito os índices por lá.

Outra causa de ondas de suicídios em massa é a aculturação, que também é parte indissociável do liberalismo. No Brasil, por exemplo, pouco se fala dos índices altíssimos de suicídio entre as populações indígenas, que configura um verdadeiro genocídio. Estudos apontam que, para além das razões materiais conhecidas, como a tomada de terras e a inserção do índio no mercado e na sociedade de consumo, um fator primordial para tudo isso deve ser levado em conta: a impossibilidade do índio de falar seu dialeto originário. O antropólogo belga André-Marcel d´Ans desenvolveu esta tese depois de passar anos entre os índios da Amazônia peruana e usou a palavra “souffrance” para denominar a patologia social causada por conflitos linguísticos, como é o caso dos indígenas forçados a aprender um novo idioma e serem inseridos numa nova sociedade, completamente alheia a seus costumes originais. Aculturação, perda de identidade, processos inerentes ao liberalismo.

Tão nociva é a influência liberal sobres estes povos que a própria palavra “suicídio” não tinha tradução na maior parte das línguas indígenas tradicionais, de tão estranha que era a prática a estas sociedades. Hoje o índice de suicídios entre os índios já corresponde a 20% do total de suicídios do estado do Amazonas.

Mas, voltando ao tema inicial, tratando da questão do suicídio em sociedades materialistas liberais em crise financeira, podemos recorrer ao velho judeu alemão que, baseado nos arquivos policiais parisienses, em Peuchet: vom Selbstmord, já tece associações do suicídio com a patologia da sociedade capitalista, necessitada de uma revolução para a resolução de problemas não só político-econômicos, mas também individuais, como a depressão e o suicídio.

Outro ponto a se destacar é a absoluta maioria dos casos de suicídio entre os homens. O papel masculino de provedor do lar, patriarca e guardião da família é visceralmente abalado com as crises financeiras e os consequentes fracassos profissionais, que o impedem de exercer o papel de provedor do lar, sobrecarregando o homem de um peso muito além do material, também psicológico, tornando-o incapaz de honrar seus deveres tradicionais. Não é à toa que em todos os países que lideram o ranking de suicídios há mais ocorrências entre a população masculina

Não vale a pena prolongar muito. Isso é tema pra um estudo bem mais avançado do que esses míseros dados que tenho aqui. Um trabalho que deve ser desenvolvido por gente competente dos campos da antropologia e da psicologia. O fato é que é também o liberalismo, no atual contexto mundial, o responsável por tais índices. Crises financeiras, materialismo, aculturação. A humilhação cada vez mais forte contra o trabalhador comum. Um problema parecido vem sofrendo o Japão onde já são registrados casos de MORTES POR EXCESSO DE TRABALHO.

O ápice do liberalismo: a população humilhada, doente, depressiva, viciada, fraca e sem qualquer senso de identidade, espiritualidade ou consciência política.

Aguardem mais casos como esses de hoje no Brasil. Liberalizar é suicídio. E se somarmos estes casos de suicídio ao redor do mundo, ligados a processos de arrocho econômico neoliberal ou ao desenvolvimento de sociedades materialistas através da propaganda consumista, com as mortes por fome causadas pelo acúmulo e concentração de capital e propriedade, além das mortes causadas pela indústria farmacêutica e a alimentícia (para nem mencionar as incontáveis guerras), talvez percebamos que o capitalismo, matou milhões no século XX e início do XXI. Talvez tanto ou mais quanto seus rivais.

Que Deus tenha piedade!

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